olha, é uma opinião bem discordável. por todos os ângulos.
o diagnóstico do bechler é de que o problema está na formação. para afirmar isso, ele não apresenta nenhuma noção de como são trabalhados meio campistas nas categorias de base hoje em dia. além disso, ele diz que nunca houveram processos formativos e que a pura intuição deu conta de produzir os jogadores mais talentosos da história.
aqui ele cai em dois erros:
- ele não se deu o trabalho de conversar com ninguém que trabalha formando jogadores no brasil. tem gente de todo tipo, não dá para generalizar.
- por não existir uma bibliografia organizada e competente sobre os processos formativos no brasil, ele acha que tais processos simplesmente não existiram. também não se deu o trabalho de fazer a pesquisa nessa frente. se ele fosse um bom jornalista, deveria ter a capacidade de consultar as pessoas que construíram a história do nosso futebol antes de cravar uma besteira dessa para o grande público. é impossível que um país de terceiro mundo como brasil vire uma potência esportiva sem uma diversidade de métodos.
(ele cai no engano causado pela bibliografia essencialista. ainda neste ano devo soltar um texto mais profundo sobre isso)
aí vem outro ponto: mesmo com todos os problemas dos modelos de jogo globalizados que você citou, o brasil ainda forma ótimos meias, e de perfis bem distintos (andré, martinelli, matheus henrique, arthur, moscardo, bidon, sara, gerson, danilo, etc). eles existem! se não estão na seleção, quer dizer que surgiram problemas nas suas carreiras que travaram esse caminho. alguns tiveram problemas extra campo, outros caíram em times "errados" para suas características, foram mal compreendidos, e mais uma infinidade de motivos que dificultam a trajetória de atletas que "precisam" da europa pra se afirmarem como jogadores de seleção (ou "sentem que precisam", mas isso é outro papo longo também).
o saldo de todo o argumento dele é um senso comum evolucionista bem rasteiro: "a europa evoluiu taticamente e o brasil ficou para trás". é vazio e ignora muita coisa.